Poemas japoneses - Haikai

Haiku-Poem1Haikai  é uma das formas poéticas de origem japonesa mais conhecidas e apreciadas no mundo, valoriza a concisão e a objetividade. Pequenos poemas que expressam não só a delicada sensibilidade japonesa, mas as reações humanas ao mundo que os cercam. É a arte de dizer o máximo com o mínimo, que capta um momento de experiência, um instante em que o simples subitamente revela a sua natureza interior e nos faz olhar de novo o observado, a natureza humana, a vida.
É uma forma muito importante de poesia tradicional japonesa, baseado na filosofia Zen Budista, brevidade e simplicidade e é acreditado ter originado no século 17. Estes poemas são projetados para transmitir a essência de uma experiência em um formato curto.
Os poemas têm três linhas, contendo na primeira e na última cinco caracteres japoneses (totalizando sempre cinco sílabas), e sete caracteres na segunda linha (sete sílabas), podendo ter variações nas diferentes línguas com versos mais curtos ou mais longos.
Em português é escrito Haicai, no Brasil, e Haiku, em Portugal.  A palavra haicai e suas variantes (haicu, haiku, haikai) derivam do japonês haikai, vocábulo composto de hai = brincadeira, gracejo e kai = harmonia, realização.
Em japonês, haikais são tradicionalmente impressos em uma única linha vertical, enquanto o haikai em Língua Portuguesa geralmente aparece em três linhas, em paralelo. Muitas vezes, há uma pintura a acompanhar o haicai ( chamada de haiga).
Haikai-poemas japoneses
Haikai – Haiga
O formato tem suas raízes na renga, importante manifestação literária da cultura japonesa que remonta ao século XIII. Os versos eram escritos por vários autores, que respondiam a uma forma de “desafio elegante” entre si ao escrever.
Poemas Haikais são tão simples que podem ser escritos por crianças, mas também é o esboço de muito estudo e dedicação. Geralmente  evoca em sua narrativa a  exploração da vida, procurando criar uma imagem de algum pequeno momento, ligado à natureza de alguma forma. Apesar de muitos poemas expressarem um tom melancólico também podem manifestar  humor e diversão.
“Haijin” é o nome que se dá aos escritores desse tipo de poema, entre os mestres do século XVII estão Basho, Buson e Issa. Dentre os muitos que se destacou nesta arte, o principal haijin (ou haicaísta) foi Matsuô Bashô (1644-1694), que se dedicou a fazer do haikai uma prática espiritual. Além de ter feito milhares de seguidores, Basho, pela sua própria vontade, abriu mão de suas atividades remuneradas como crítico e instrutor para viver em recolhimento e pobreza e exercer influência sobre o desenvolvimento posterior da arte do haikai, elevando-o a uma forma de ver e de viver o mundo.

Poemas Haikais:

Haikai - Poemas japoneses
Quantas memórias
me trazem à mente
Cerejeiras em flor

Um antigo lago em silêncio …
Um sapo pula na lagoa,
splash! Silêncio novamente.

Bashô

 japanese art
Primeira manha
Até a minha sombra
está cheia de vigor

Issa

japanese art
No caminho de Shirakawa
uma rapariga vende flores
Primeiro arco-íris

Shimei

japanese art
Na berma do caminho
florescia uma malva
O cavalo comeu-a

Bashô

japanese art
Floresce a ameixieira
e canta o rouxinol
mas estou só

Issa

Haicaístas Brasileiros:

Haikai no Brasil

O primeiro literato a divulgar o haikai no Brasil foi Afrânio Peixoto (1875-1947), em 1919, através de seu livro “Trovas Populares Brasileiras”, o poeta fixa a forma do haicai brasileiro (5-7-5). Em 1922, o haicai em sua forma poética japonesa era discutido e praticado pelos poetas da “Semana de Arte Moderna”. Oswald de Andrade o adota em Pau Brasil (1925). Waldomiro Siqueira Jr., lança em 1933 o primeiro livro de haicais no Brasil. Guimarães Rosa em 1936 recebe prêmio da Academia Brasileira de Letras com “Magma”. Na década de quarenta, Guilherme de Almeida lhe dá a forma de rima adotada por muitos outros poetas. Mas foi Millôr Fernandez que, na revista semanal “O Cruzeiro”, o popularizou, entre milhares de leitores por todo o país. Seus haicais eram seguidos por charges refinadas, e da mesma verve humorística e irônica dos primeiros modernistas:

Millôr Fernandes

Viva o Brasil
onde o ano inteiro
é primeiro de abril
————————————————-
O pato, menina,
é um animal
com buzina
————————————————-
Eu sofro de mimfobia
tenho medo de mim mesmo
mas me enfrento todo dia
japanese art

Afrânio Peixoto

Derrete-se o gelo.
Porém se resfria a água:
Ela fria, eu ardo…
————————————————-
Quando um galo canta
Os outros todos respondem:
Nenhum quer faltar.
 japanese art

Mario Quintana

Silenciosamente
sem um cacarejo
a Noite põe o ovo da lua…
————————————————-
O verso é um doido cantando sozinho,
Seu assunto é o caminho. E nada mais!
O caminho que ele próprio inventa……
————————————————-
Deus tirou o mundo do nada.
Não havia nada mesmo…..
Nem Deus!
japanese art

Alice Rui

Primavera
até a cadeira
olha pra janela
————————————————-
Rede ao vento
se retorce de saudade
sem você dentro

Fonte:Caçadores de lendas

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